BIM: conheça a metodologia que revoluciona a forma de construir

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A construção civil e a arquitetura contam com ferramentas capazes de transformar profundamente a forma de planejar e executar projetos. Uma delas reúne tecnologia, gestão de informações e colaboração em um único ambiente digital, e é adotada por empresas de todos os portes.

O BIM, sigla para Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção, vai muito além de um software ou de um modelo tridimensional. Se você quer entender por que essa metodologia tem conquistado tanto espaço no setor, continue a leitura.

O que exatamente é o BIM?

O BIM centraliza todas as informações de uma obra: materiais, custos, prazos e especificações técnicas de cada área do projeto – Foto: Freepik
O BIM centraliza todas as informações de uma obra: materiais, custos, prazos e especificações técnicas de cada área do projeto – Foto: Freepik

O BIM é uma metodologia que cria e organiza modelos digitais completos de uma obra por meio de softwares especializados. O modelo reúne materiais, custos, prazos e especificações técnicas de todas as áreas do projeto, do projeto à manutenção da edificação.

A partir dessa centralização, arquitetos e engenheiros colaboram em ambiente compartilhado e atualizam o projeto de forma conjunta. Esse fluxo integrado de trabalho elimina conflitos entre disciplinas, evita desperdícios e assegura consistência informativa ao longo de toda a obra.

Qual é a história do BIM?

As origens do BIM remontam à década de 1970, nos Estados Unidos. Em 1974, Charles Eastman publicou “An Outline of the Building Description System”, que propôs um sistema computacional inédito. Esse modelo buscou integrar dados de projeto, construção e operação.

Nesse período, os softwares CAD já existiam e se consolidaram nos anos 1980 como ferramentas de desenho assistido por computador. Eles digitalizaram o processo de projeto, mas trabalhavam sobretudo com geometria. O BIM avançou sobre essa base ao substituir linhas e formas por objetos com informações integradas.

As primeiras aplicações comerciais com essa abordagem apareceram nos anos 1980, como o Archicad, lançado em 1987. Em 1992, o termo “Building Information Model” aparece em artigo da revista Automation in Construction, assinado pelos pesquisadores holandeses G.A. van Nederveen e F.P. Tolman, da área de modelagem da construção. A sigla BIM ganhou força e difusão comercial global a partir de 2002. 

Quais são as vantagens concretas do BIM?

Com o BIM, conflitos entre projetos estrutural, elétrico e hidráulico são identificados mais cedo – Foto: Freepik

As vantagens do BIM aparecem em praticamente todas as etapas de um projeto:

  • redução de erros: conflitos entre projetos estrutural, elétrico e hidráulico são detectados antes do início da obra;
  • controle de custos: alterações no modelo refletem de forma automática nos relatórios de orçamento;
  • previsibilidade de prazos: simulações detalhadas permitem antecipar problemas e planejar etapas com mais segurança;
  • colaboração: todos os profissionais trabalham a partir da mesma base de informações, o que agiliza decisões;
  • sustentabilidade: análises de eficiência energética e impacto ambiental já na fase de projeto;
  • gestão pós-entrega: o modelo se torna um histórico completo da edificação, com facilidade de manutenção.

Quais são os principais desafios para adotar o BIM?

Adotar o BIM exige planejamento e uma nova forma de trabalho dentro das equipes. Os principais desafios envolvem capacitação, investimento em softwares e organização dos processos internos. Outro ponto importante é a integração entre plataformas, que melhora com o uso do IFC, um padrão aberto de arquivo que facilita a troca de informações do projeto entre programas diferentes.

Todo projeto em 3D pode ser considerado BIM?

O BIM não elimina a necessidade de profissionais qualificados, mas potencializa o trabalho de arquitetos, engenheiros e gestores ao centralizar as informações do projeto – Foto: Freepik
O BIM não elimina a necessidade de profissionais qualificados, mas potencializa o trabalho de arquitetos, engenheiros e gestores ao centralizar as informações do projeto – Foto: Freepik

Não. Um projeto em 3D representa visualmente uma construção, mas não carrega, necessariamente, as informações integradas que caracterizam o BIM. Para se enquadrar na metodologia, o modelo precisa incorporar dados paramétricos, como materiais, custos e especificações técnicas, além de permitir a colaboração entre disciplinas. O aspecto de banco de dados é o que diferencia o BIM de uma maquete digital simples.

De que forma o BIM se aplica na construção civil?

A metodologia pode ser usada em praticamente todas as fases de uma obra, da concepção ao uso do edifício. Na arquitetura, contribui para a visualização e compatibilização dos projetos. O impacto maior, porém, aparece na execução e na gestão da obra, onde o BIM atua em frentes como:

  • viabilidade: análises topográficas, de iluminação, desempenho térmico e acústico a partir do modelo;
  • planejamento: simulação de cronograma e organização do canteiro de obras;
  • orçamento: geração automática de quantitativos e relatórios de custo atualizados conforme o projeto evolui;
  • execução: coordenação entre as áreas do projeto e identificação de conflitos antes e durante a obra;
  • manutenção: gestão dos sistemas da edificação e registro histórico completo da construção.

Principais softwares de BIM: por onde começar?

Quanto mais cedo o BIM é adotado em um projeto, maior o impacto nos resultados – Foto: Freepik
Quanto mais cedo o BIM é adotado em um projeto, maior o impacto nos resultados – Foto: Freepik

O ecossistema de softwares BIM é amplo e se divide por especialidade. A escolha ideal depende da etapa do projeto e do porte da obra. Conheça os principais:

  • modelagem 3D: Revit (Autodesk) e ArchiCAD (Graphisoft);
  • compatibilização e coordenação: NavisWorks e Solibri;
  • projetos estruturais: TQS e Eberick;
  • orçamentação: OrçaBIM e PRESTO.

O BIM representa uma mudança real na forma de planejar, executar e gerir construções. No Brasil, decretos federais já determinam a adoção gradual da metodologia em obras e serviços de engenharia da administração pública federal, sinal de que integrar informações, reduzir erros e conectar equipes deixou de ser diferencial para virar exigência.

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